Casa da Árvore

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2014-09-04 15.57.06
04 out

Arranjos educativos locais ampliam resultado de projeto em Senador Canedo – GO

Estamos chegando quase ao final de 2014, primeiro ano de implementação do projeto “E se eu fosse o autor?”, e a iniciativa já acumula experiências que tem transformado a realidade da rede municipal de ensino de Senador Canedo. As metas de envolver 10 escolas municipais e cerca de 500 alunos e professores em atividades de incentivo à leitura através da cultura digital até o final de 2015 já foram superadas antes do aniversário de um ano do projeto neste município da região metropolitana de Goiânia, capital de Goiás. Ao todo já são quase 700 participantes diretos em quase 20 escolas atendidas.
 
 
 
Mas os maiores resultados vão além da ampliação desta capacidade de atendimento. No começo do segundo semestre a equipe de gestão da ong Casa da Árvore realinhou a estratégia de implementação do “E se eu fosse o autor?” a partir de demandas e desafios da Secretaria Municipal de Educação, identificados no desenvolvimento do Projeto Político Pedagógico do município. “Priorizamos o processo de formação continuada de professores, aproveitando as experiências de práticas pedagógicas desenvolvidas em parceria com alunos, através do Laboratório Criativo de Literatura e Tecnologia (Lab Criativo), para estimular os professores a realizarem experimentações didáticas a partir do currículo”, revela o coordenador geral do projeto, Aluísio Cavalcante.
 
 
Atualmente as indicações metodológicas e estratégias de realização de ações inovadoras desenvolvidas no projeto já fazem parte do projeto político pedagógico (PPP) de 16 escolas deste município. Em cada uma destas unidades de ensino, um conteúdo previsto no currículo de língua portuguesa, literatura ou redação, além de projetos interdisciplinares previstos nos seus respectivos PPP´s, está sendo desenvolvido aproveitando de maneira criativa a vivência de professores e alunos com a cultura digital. “Fizemos a opção inicial de experimentar essa nova forma de incentivar a leitura entre turmas do 6° ano, porém as necessidades e desafios peculiares de cada comunidade escolar levou a equipes pedagógicas escolares ampliarem esse acesso e hoje temos turmas de 5° ao 9° envolvidas em atividades do projeto”, destacou a diretora pedagógica da Secretaria de Educação, Elenice de Lurdes. A diretora ressalta ainda que até o final de 2015 todas as escolas da rede estarão envolvidas no projeto e pelo menos um professor de cada uma delas terá sido capacitado para utilização da metodologia do projeto.
 
[caption id="attachment_1672" align="alignright" width="300"]Laboratório de práticas pedagógicas inovadoras realizado para formação de professores. Laboratório de práticas pedagógicas inovadoras realizado para formação de professores.[/caption]
“Cada sequência didática que está sendo desenvolvida pelos professores com o nosso apoio explora um recorte da cultura digital, a exemplo da escrita colaborativa com uso de aplicativos do celular, a criação de mapas colaborativos, a produção de vídeos e histórias gráficas, além do uso do Facebook e do Whatsapp como ambiente de estímulo à leitura”, afirma a coordenadora pedagógica do projeto, Denise Bueno. Ela conta ainda que a rotina de trabalho com as equipes pedagógicas das escolas envolve reuniões com as coordenações e encontros para planejamento com os professores.
 
 
 
Quem participou da experiência aprovou essa nova forma de pensar e produzir conteúdos didáticos. É o caso da professora de Ciências da Escola José Botelho Mariana Araguaia. Junto com a professora de Língua Portuguesa, Eufrásia Meireles, realizaram o projeto de aprendizagem em rede “Somos o que comemos”, por meio de um grupo privado no Facebook. “A realização do curso inicial, em dois dias, foi muito importante para nos trazer essas reflexões e motivar para este trabalho. O uso das redes sociais para conectar os professores envolvidos e a equipe da Casa da Árvore, aproveitando melhor nosso tempo, foi fundamental para dar agilidade ao trabalho e ajudar a gente a superar algumas dificuldades que, a princípio, pareciam intransponíveis”, revela a professora Mariana.
 
 
O “E se eu fosse o autor?” é uma tecnologia social desenvolvida pela Associação Casa da Árvore, que desde 2007 desenvolve projetos sociais de educação o contexto da cultura digital. Desde 2010 vem sendo experimentado em diferentes regiões brasileiras. No biênio 2014 – 2015 o projeto está sendo realizado em Senador Canedo através de uma cooperação com a Prefeitura Municipal e o patrocínio do Programa Integração Petrobras Comunidades.
 
 
Reconhecimento nacional
 
A Associação Telecentro de Informação e Negócios – ATN e uma Comissão Julgadora composta por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Ministério das Comunicações, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, SEBRAE Nacional, Grupo TICKET e a AME, concederam ao projeto “E se eu fosse o autor?” o Prêmio Telecentros Brasil 2014. A iniciativa foi vencedora na categoria Inovação em Sustentabilidade Social. O resultado foi divulgado no último dia 24 de setembro. A premiação acontece durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no próximo dia 16 em Brasília – DF, às 16 há, no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade.
 
Leia mais sobre o Prêmio Telecentros Brasil 2014 Entenda o funcionamento do projeto Assista ao vídeo institucional do projeto "E seu eu fosse o autor?"
 
 
Resultados animadores
 
Ainda no primeiro semestre, uma investigação realizada pela pesquisadora e presidente da ong Casa da Árvore, Leila Dias, revelou que a metodologia do projeto aumentou a leitura espontânea de livros literários entre crianças e adolescentes participantes do Laboratório Criativo de Literatura e Tecnologia (Lab Criativo). Nesta atividade, um grupo de estudantes da rede municipal participa de atividades de leitura e produção multimídia no contraturno escolar, dentro da Biblioteca Municipal de Senador Canedo.
 
 
“Assim que a primeira turma foi formada, aplicamos um questionário, denominado Marco Zero, onde verificamos um pouco da relação destes alunos. Além de acompanhar todo o ciclo semestral desta turma, reaplicamos o mesmo questionário ao final do ciclo”, explica a pesquisadora. Antes de participarem do projeto, 31,25% não haviam lido literatura nos últimos 3 meses, 50% lembraram apenas de 1 obra e apenas 18,75% lembraram 2 ou mais livros lidos no mesmo período. Já ao final dos 3 meses de realização do Lab Criativo, 37,5% dos alunos lembravam-se com facilidade de 2 a 4 livros lidos, 18,75% relataram a leitura de 5 obras e 30,80% dos participantes leram 6 ou mais livros literários. "Vale destacar que, neste período, apenas duas obras tiveram suas leituras estimuladas por práticas didáticas do projeto”, recorda Leila Dias.
[caption id="attachment_1673" align="alignleft" width="300"]A leitura integra-se ao cotidiano digital de crianças e adolescentes no Lab Criativo. A leitura integra-se ao cotidiano digital de crianças e adolescentes no Lab Criativo.[/caption]
 
A pesquisa revelou ainda que a escolha própria representa 58,5% das decisões de leitura entre estas crianças e adolescentes. A indicação de amigos aparece em segundo lugar, sendo responsável por 33,5% das escolhas literárias. A escola aparece como responsável por 8% das decisões de leitura destes alunos e a família não foi citada. “Percebemos aqui que existe um grande potencial de incentivo à leitura nas relações sociais entre estes alunos que precisar ser explorado, principalmente pela escola, que tem encontrado dificuldades de se reinventar no contexto da sociedade da informação em rede”, refle a pesquisadora Leila Dias.
 
A investigação conclui que, quando associado com práticas de autoria, interação e compartilhamento por meio do uso criativo das novas tecnologias, o itinerário de aprendizagem proposto pelo projeto permitiu ainda que os alunos desenvolvessem melhor sua capacidade de fazer uma leitura crítica do mundo e ampliar sua participação social. O resultado completo desta pesquisa será apresentada em dezembro deste ano na Universidade do Minho – Portugal, durante a defesa da dissertação de mestrado da pesquisadora em Comunicação, Cidadania e Educação.
 
Já nas escolas, as transformações podem ser percebidas nos relatos de professores e alunos. A professora Wilza Araújo, leciona redação na Escola Municipal Vovó Dulce e escolheu sua turma de 8° ano para realizar sua primeira experiência com o uso do celular em uma atividade avaliativa. Os alunos recriaram cenas inspiradas no livro Don Quixote, de Miguel de Cervantes, usando o bloco de notas, o bluetooth e o Whatsapp. “Já fui apaixonada pela educação e essa paixão estava esfriando. Esse trabalho resgatou uma brasa que ainda não havia apagado”, comentou a professora.
 



DADOS INSTITUCIONAIS

Razão social: Associação Casa da Árvore
CNPJ: 09.169.589/0001-20
Endereço: Av. Prof. Alfredo de Castro, S/N, Área Especial, Chácara do Governador - Goiânia - GO