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26 out

Bob Dylan merece o Nobel?

Prêmio Nobel para Bob Dylan evidencia as semelhanças entre música e literatura

 
Anualmente, a Academia Sueca homenageia com o Prêmio Nobel os responsáveis por grandes iniciativas científicas e culturais que contribuem para o bem da humanidade. O Prêmio Nobel de Literatura, por exemplo, já contemplou escritores do quilate de Mario Vargas Llosa, José Saramago e Gabriel Garcia Márquez. Em 2016, a honra coube a Robert Allen Zimmerman – que o resto do mundo conhece mesmo é como Bob Dylan.
 
Tão logo o anúncio foi feito no último dia 13 de outubro, a polêmica envolvendo a escolha teve início – potencializada pelas redes sociais, para variar. Só algum extraterrestre – e, ainda assim, um alienígena desavisado – não saberia que Bob Dylan, na verdade, é cantor. Já escreveu sim dois livros, no entanto, o Nobel foi dado pelo conjunto de sua obra musical, que contempla verdadeiros clássicos do rock’n roll, como Blowin’ in the Wind, Mr. Tambourine Man e, principalmente, Like a Rolling Stone, venerada pelo apelo à liberdade, tão simbólico dos anos 1960.
 
Palavras no papel ou nos discos?
Antes de mais nada, vale lembrar que aqueles que contestam o Nobel de Bob Dylan não estão desmerecendo a sua discografia – tanto é que as turnês do cantor continuam como sucesso de público, mesmo nos dias atuais. O principal questionamento é outro: faz sentido ou é justo premiar um músico na categoria literatura?
 
O que, por sua vez, leva a outras perguntas: são mesmo dois campos tão diferentes assim entre si? Ouvir música e ler poesia não seria, no fundo, a mesma coisa? Ao justificar sua opção por Bob Dylan, os jurados da Academia Sueca evocaram Homero, aquele mesmo da Grécia Antiga, autor dos épicos Ilíada e Odisseia. Seus versos, que narram a tão famosa Guerra de Troia e, posteriormente, o regresso do herói Odisseu para seu distante lar, teriam sido elaborados originalmente para a voz e melodia dos menestréis de então.
 
Aliás, qualquer letra de música, por mais simplória que seja, já carrega consigo um número infindável de rimas, metáforas, alegorias, alusões, aliterações e várias outros recursos que tornam a literatura tão mágica e cativante, correto? Ainda mais quando se sabe que Bob Dylan foi forjado a partir do folk, estilo musical que mistura folclore e rock, em que as letras e a narrativa predominam em relação ao volume dos instrumentos.
 
Inclassificável
No mesmo dia em que foi divulgado vencedor do Nobel, Bob Dylan realizou um show em Las Vegas, mas não fez nenhum comentário a respeito da premiação, o que causou certa estranheza. Não espantou aqueles que sabem um pouco mais sobre sua carreira e vida pessoal, repleta de reviravoltas e peculiaridades compreensíveis só para o próprio artista (ou nem para ele mesmo). Bob Dylan sempre foi, no fundo, inclassificável. E não deve estar dando a mínima para toda essa controvérsia envolvendo sua mais recente honraria. Duvida? Pelo menos é o que daria a entender a letra de All I Really Wanto to Do, do álbum Another Side of Bob Dylan (1964):
 
I aint lookin to compete with you
Beat or cheat or mistreat you
Simplify you, classify you
Deny, defy or crucify you
All I really want to do
Is, baby, be friends with you
 
(Eu não estou tentando competir com você
Bater ou trair ou maltratá-la
Simplificar você, classificar você
Negar, difamar ou crucificar você
Tudo que eu realmente quero
É, baby, ser amigo seu)



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