Casa da Árvore

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27 out

Entrevista com Karla Ribeiro, pedagoga especialista em Métodos e Técnicas de Ensino.

A Casa da Árvore conversou com a pedagoga e especialista em Métodos e Técnicas de Ensino, Karla Ribeiro. Ela exerce a função de apoio técnico ao professor no Núcleo de Tecnologia Educacional da Secretaria Municipal de Goiânia e acompanha o projeto Escola Criativa Digital, desenvolvido pela ONG na Escola Municipal Marechal Ribas Júnior, situada na Vila Redenção.
 
O projeto integra o Programa Mais Cultura nas Escolas e pretende desenvolver a vocação da comunidade escolar para a cultura digital e inovação em práticas pedagógicas. Na prática a iniciativa está ajudando a escola a rever suas práticas de ensino, trazendo a experiência com a tecnologia digital para o seu Projeto Político Pedagógico.
 
Leia mais sobre o projeto aqui. Acompanhe pelas redes sociais.
 

Como o projeto tem contribuído com o desafio de trazer as novas tecnologias para as práticas de ensino na escola?

 
Há quase dois anos iniciei o trabalho de acompanhar 09 instituições da Rede Municipal de Educação de Goiânia que possuem Ambiente Informatizado (Laboratório de Informática), sendo que o nosso trabalho se articula em três eixos de atuação: Assessoramento Pedagógico (estimular e orientar o uso pedagógico dos recursos tecnológicos disponíveis nas escolas), Formação para o uso das tecnologias na educação (qualificação permanente dos professores) e Suporte Técnico (preventivo e corretivo).
 
Durante esse período, percebeu-se alguns desafios referente ao trabalho e um deles foi justamente este, o de conseguir com que os professores utilizem os diversos recursos tecnológicos disponíveis nas próprias escolas, em suas práticas pedagógicas.
Por já conhecer o trabalho realizado pela equipe da Casa da Árvore foi que verifiquei a possibilidade de acompanhar o projeto iniciado na Escola Municipal Marechal Ribas, no mês de setembro. Pois o trabalho é realizado com base na realidade da instituição; o conteúdo/material é apropriado/acessível aos profissionais; a formação é realizada tanto com os professores, quanto com os alunos; há uma parceria entre a equipe da Casa da Árvore e os profissionais da escola; a linguagem utilizada pelos formadores é bem atual e esclarecedora; os profissionais têm espaço para expor suas dúvidas, dificuldades, anseios, avanços.
 
A integração da experiência da ONG com práticas de incentivo à leitura (veja sobre o projeto “E se eu Fosse o Autor?”) ao Projeto já em andamento pela escola “Oficina de Leitura”, tornou possível a concretização de um novo projeto “Escola Digital”, que conseguiu integrar a cultura digital à proposta pedagógica da instituição.
 
 
 

Quais são potencialidades que você vê na forma do projeto intervir na rotina da escola, trazendo a cultura digital?

 
 
Ressalto que o trabalho que está sendo realizado na EM Marechal Ribas Júnior tem contribuído muito para a promoção da cultura digital nas práticas pedagógicas desta instituição, além de auxiliar no estimulo à leitura e escrita como prática cotidiana de autoria e criatividade dos alunos, levando sempre em consideração a Proposta Político Pedagógica da escola e interesse dos participantes.
 
Dentre as potencialidades do projeto “Escola Criativa Digital”, destaco: o projeto proposto e as ações que foram todas articuladas com base na Proposta Político Pedagógica da instituição; a formação continuada dos professores e acompanhamento sistematizado dos planejamentos e práticas pedagógicas; os formadores apresentam recursos digitais que podem auxiliar nos conteúdos que estão sendo trabalhados com os alunos, ampliando as possibilidades pedagógicas; trabalham com os recursos físicos e materiais existentes na escola (infra-estrutura, mobiliário, conexão da internet), apresentando possibilidades possíveis de serem realizadas e alcançadas.
 
Quanto ao trabalho com os alunos pode-se perceber que os mesmo foram consultados para verificar o real interesse em participar do projeto; se tornam autores e produtores de conhecimento, deixando de ser apenas leitores/receptores; são estimulados constantemente ao hábito da leitura e escrita, privilegiando a criatividade e a autoria; além de demonstrarem interesse em participar de tudo que é proposto.
 
 
 

Como você avalia a estratégia do projeto em explorar o universo tecnológico particular existente na comunidade escolar (celulares e tablets pessoais de professores e alunos), como estratégia de aproximar as experiências em cultura digital que professores e alunos têm fora do ambiente escolar e ao mesmo tempo ajudar no desafio de vencer as limitações de infraestrutura institucional (lab da escola)?

 
 
Muitos estudos já apontam que a questão hoje não é mais se as tecnologias vão substituir o professor. O fato é que elas já se encontram no cotidiano escolar, seja disponível no Ambiente Informatizado, na coordenação, ou ainda de modo velada, talvez até clandestinamente, nas mãos de professores e alunos que utilizam recursos como os tablets, android, Ipod, Ipad, etc e cabe aos professores utilizá-las como potencializadores das ações pedagógicas.
 
A tecnologia deve servir para enriquecer o ambiente educacional, propiciando a construção de conhecimentos por meio de uma atuação ativa, crítica e criativa por parte de alunos e professores, tanto no ambiente escolar como fora dele. Muitas são as limitações e desafios que encontramos com a infra-estrutura das escolas, dentre elas podemos citar a velocidade da internet, a quantidade de computadores disponíveis e o próprio desgaste do equipamento. Outra questão é que nem sempre há um profissional lotado para exercer a função de auxiliar do Ambiente Informatizado. Desta forma o uso dos equipamentos particulares vem como uma grande contribuição para as práticas pedagógicas, pois amplia o universo de possibilidades de uso tanto no espaço escolar com fora dele.
 
Em relação as estratégias que a equipe da Casa da Árvore tem utilizado no decorrer do projeto percebe-se que um ponto importante a se destacar é a utilização tanto dos recursos tecnológicos particulares (dos professores e alunos), quanto dos materiais existentes na própria escola. São apresentadas possibilidades de se trabalhar os projetos, os conteúdos, as ações utilizando os celulares, tabletes, notebooks de recursos próprios. Inclusive em um momento de acompanhamento em que estive na escola, pude presenciar professores munidos de celulares, notebooks e uma aluna solicitando a professora que lhe emprestasse um dos equipamentos para que ela realizasse um registro. São práticas assim, que apresentam possibilidades que valorizam os equipamentos disponíveis, que dinamizam o trabalho cotidiano dos profissionais e alunos de uma instituição.
 
 
 

O celular tem se apresentado como um importante vetor de inclusão digital no Brasil, sendo ele um dos principais responsáveis pela democratização do acesso a internet entre jovens e crianças. Já no ambiente escolar é comum termos a presença desses equipamentos como um grande vilão. Você acredita que a experiência que está sendo realizada na E.M Marechal Ribas pode trazer apontamentos concretos de como virar esse jogo, e fazer dos celulares um elemento potenciador das relações de aprendizagem?

 
 
Conforme a própria fala dos professores durante a “Oficina de Cultura Digital e Aprendizagem Criativa” os celulares, as redes sociais, a internet já fazem parte do cotidiano dos alunos. Algumas escolas inclusive proíbem a utilização dos celulares em sala de aula. Mas os alunos têm encontrado formas de burlar esta determinação. Penso que a melhor forma não é proibir, mas sim conscientizar os alunos sobre o uso deste recurso e apresentar outras possibilidades que vão além do entretenimento. Não podemos negar que tais recursos podem sim contribuir com o processo de aprendizagem e desenvolvimento dos alunos.
 
O Projeto Escola Criativa Digital tem apresentado justamente aos professores e alunos outras possibilidades de utilizar este recurso tecnológicos e outros na construção do conhecimento, de maneira que eles tornem autores da própria história, cidadãos críticos e conscientes. Dentre as diversas possibilidades do uso do celular pelos alunos, podemos destacar: elaboração de registros dos elementos encontrados em pesquisa de campo; realização de trabalhos utilizando textos e fotos; produção de documentários em vídeo; agendamento de tarefas; acesso a mapas, realização de pesquisa, consultas a dicionários e enciclopédias, pesquisas sobre temas que aprendem em aula; trocas de informações com colegas e até mesmo a prática de outras línguas. Dessa maneira o celular passa a ser visto principalmente como ferramenta de registro, pesquisa e interação.
 
 
 

" O uso dos equipamentos particulares vem como uma grande contribuição para as práticas pedagógicas, pois amplia o universo de possibilidades de uso tanto no espaço escolar com fora dele".

 
 

A Escola Criativa Digital propõe uma atuação a partir de projetos de aprendizagem mas que esbarra, entre outras coisas, na fragilidade da estrutura de organização dos momentos de aprendizagem escolar em aulas de 45 minutos. Qual o caminho que podemos seguir para vencer esse desafio?

 
 
Realmente nós professores encontramos muitas dificuldades com esta organização da Ação Pedagógica, que fragmenta os momentos das aulas em 45 minutos para cada uma delas. Mas se olharmos para os recursos tecnológicos como um facilitador/dinamizador deste processo, eles se tornarão aliados. Utilizar os próprios recursos dos alunos, como o celular e tablets e os equipamentos da própria escola, como: projetores, notebooks, máquina fotográfica, filmadoras, aparelhos de som, dvd, tv, possibilita que as aulas ocorram na própria sala, não dependendo somente do trabalho realizado no Ambiente Informatizado.
 
Penso que uma das características fundamentais é a boa vontade do professor, o interesse dos mesmos em incluir as tecnologias em suas práticas pedagógicas, pois em relação aos recursos, quando se há interesse, as dificuldades são superadas por possibilidades.
 
Há muitas metodologias que podem ser utilizadas pelos professores que dispensam o uso da internet no momento da aula, como utilizar apresentações de slides que permite mostrar conteúdos de forma dinâmica e interessante, pois possibilita a inserção de texto, imagem e ficheiros de áudio e vídeo; baixar o vídeo anteriormente, que se pretende abordar e reproduzir utilizando o projetor; utilizar os recursos audiovisuais, que se refere aos CD/DVD, ficheiros, áudios, ou mesmo filmes e programas televisivos; dentre outras.Não podemos nos esquecer dos recursos tecnológicos mais comuns ao cotidiano escolar, como as revistas, jornais, rádio, enciclopédias que encontram-se ainda mais acessíveis aos professores.
 
Outra possibilidade sugerida por um dos professores, nos momentos das oficinas seria o cabeamento para replicar sinal, seria um ponto de acesso em cada sala de aula. Assim as aulas poderiam também ocorrer na própria sala de aula, utilizando a internet. Mas em relação a esta ação ainda não há projetos da Secretaria para a realização da mesma, assim a escola teria que arcar com tais custos, sendo esta uma possibilidade.
 



DADOS INSTITUCIONAIS

Razão social: Associação Casa da Árvore
CNPJ: 09.169.589/0001-20
Endereço: Av. Prof. Alfredo de Castro, S/N, Área Especial, Chácara do Governador - Goiânia - GO