Casa da Árvore

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24 set

Escola integra cultura digital ao projeto pedagógico e espera ampliar estímulo à leitura

A leitura é a principal base para o desenvolvimento da aprendizagem de uma criança, mas como estimular o gosto por esta prática? O desafio é enorme, principalmente para as equipes pedagógicas das escolas púbicas de ensino fundamental. Desde o começo deste semestre a Escola Municipal Marechal Ribas Júnior, conta com o projeto Escola Criativa Digital, uma iniciativa da ong Casa da Árvore – Cultura Digital e Aprendizagem Criativa por meio do programa Mais Cultura nas Escolas. O projeto traz a experiência da ong no desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras e busca ampliar o número de leitores entre alunos do 1° ao 5° ano. A professora Thatyane Lorena da Silva leciona na 5° C, e ressalta a importância da escola na formação de novos leitores, “Normalmente o gosto pela leitura não é uma coisa adquirida de casa. Se não for aqui na escola, não será desenvolvido em outro lugar”.
 
 
Todas as ações do projeto Escola Criativa Digital foram desenvolvidas a partir Projeto Político Pedagógico (PPP) da unidade. “O PPP é a alma da escola e a ação da Casa da Árvore está nos ajudando a criar soluções para vários desafios que temos para implementá-lo”, comentou Carolina Machado, coordenadora pedagógica da EM Marechal Ribas. A principal ação de estímulo à leitura espontânea prevista no PPP deste ano é a Olimpíada de Leitura (OLE), um concurso que premia os alunos que mais leem ao longo do semestre. Originalmente na OLE, além do prêmio, os alunos eram estimulados pelos professores a partir da fixação de lista de sugestão de livros na biblioteca. Agora os alunos podem participar de oficinas de vídeo adaptações literárias, uma prática de produção colaborativa de conteúdo multimídia a partir de uma experiência de leitura. “O celular, o computador, as redes sociais e a linguagem multimídia são os principais meios de mediação na construção da visão de mundo das crianças de hoje, por isso buscamos criar uma relação entre as experiências em cultura digital dos alunos e a literatura”, explica o coordenador geral da Escola Criativa Digital, Aluísio Cavalcante.
 
 
Na prática os alunos são orientados a transformarem histórias lidas em um vídeo ou uma novela gráfica. “É uma metodologia que desenvolvemos na ong Casa da Árvore e que estamos aplicando em diversos contextos escolares, aqui em Goiás e em outros Estados. O resultados impressionam pois a prática de autoria ressiginfica a relação do aluno com a literatura, levando-o a identificar uma função social da leitura e não apenas uma função didática, como normalmente é encarada nas escolas”, explicou Leila Dias, presidente da Ong.
 
 
A primeira oficina começou no dia 22 de setembro e vai até o dia 01 de outubro. No próximo mês outra edição será realizada. O objetivo é fazer com que, motivado pela possibilidade de fazer um vídeo, o aluno busque espontaneamente ler mais obras literárias. Mas logo nas primeiras experiências a estratégia tem se revelado ainda mais eficiente. A turma da professora Thatyane é a primeira a participar da oficina de vídeo adaptações literárias. Ela conta que a atividade tem permitido que alunos não letrados (que não leem nem escrevem com fluência) sejam contagiados pela literatura e participem da Olimpíada de Leitura. “Ontem mesmo dois alunos meus, que tem muita dificuldade para ler e escrever, vieram todos felizes me contar: - Tia eu posso fazer isso! Eu desenho e o Reginaldo conta a história com a fala mesmo.”, destacou a educadora.
 
 
Para quem está conduzindo esta jornada de descoberta junto com os alunos, o envolvimento e a motivação que a autoria com uso de tecnologias digitais proporciona leva a um processo de superação contínua. “Eles ficam empolgados, pois a imagem e o vídeo permitem que todos se expressem, mesmo aqueles com maior dificuldade. A cada passo concluído na produção de um vídeo, por exemplo, eles vão construindo habilidades que os ajudam a superar essas dificuldades”, destacou Erick Ungarelli, educador do projeto. “Eu espero que quem não gostava de ler agora passe a gostar. Nós somos uma escola de tempo integral e trabalhando com a oficina de vídeo no período da tarde poderemos complementar as ações de incentivo à leitura que temos através das disciplinas, ministradas somente pela manhã”, conclui a professora Thatyane.
 
 
O projeto
 
O projeto Escola Criativa Digital vai muito além da oficina de produção de vídeo adaptações literárias e tem o objetivo de melhorar a qualidade da aprendizagem por meio da apropriação pedagógica da cultura digital. Está estruturada a partir de um Plano de Atividade Cultural que contempla ações de formação e suporte pedagógico aos professores e laboratórios comunitários de inovação e cultura digital, abertos à toda comunidade escolar.
 
 
A formação continuada de professores desenvolvida pelo proejo Escola Criativa Digital recorre a tecnologias sociais para educação e cultura digital desenvolvidas pela Casa da Árvore e já experimentadas em diversas redes púbicas de ensino. O foco está no desenvolvimento de uma cultura de autoria entre professores. O trabalho foi iniciado através de uma Oficina de Práticas Pedagógicas Inovadoras, onde todos os educadores da escola puderam ampliar seu repertório didático explorando as possibilidades de uso das linguagens midiáticas, das redes sociais e das tecnologias móveis (principalmente celulares e tablete pessoais dos alunos) na construção de aulas mais interativas e criativas. “Eu já vi diferença desse trabalho aqui na escola. Tem professor que já está utilizando isso, já tá trazendo para aula dele, criando estratégias diferentes para envolver o aluno, usando as redes, por exemplo”, revelou a coordenadora Carolina Machado.
 
 
A coordenadora pedagógica do projeto Escola Criativa Digital, Danielle do Carmo, explica que durante a primeira etapa da formação foi possível identificar com cada professor, a partir dos programas disciplinares de cada série, os principais desafios na construção da aprendizagem e quais elementos ou práticas características da cultura digital podem ajudar na superação dos mesmos. A etapa seguinte será realizada atendimentos individuais com todos os professores interessados em explorar práticas mediadas por tecnologia. “O mais interessante é que, independente da geração da idade, os professores tem reconhecido a necessidade de buscar uma nova forma de ensinar. Eles estão trabalhando duro e buscando respostas para isso e nosso papel aqui é ajuda-los a construírem suas próprias experiências”, destacou a coordenadora.
 
 
Assim como a formação inicial o trabalho de suporte individual aos professores para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inovadoras tem sido feito utilizando os horários dedicados ao planejamento, sem aumentar a carga horária do professor ou atrapalhar a rotina da escola. “Desta forma fica tudo integrado e não mais um projeto isolado dentro da escola. Esses atendimentos individuais são fundamentais para contagiar aqueles professores que, em um trabalho de grupo, por não terem tanta habilidade tecnológica assim, desenvolvam sua vocação para inovação”, concluiu a coordenadora pedagógica da escola, Caroline Machado.
 
 
Mais informações www.casadaarvore.art.br www.facebook.com/ong.casadaarvore (62) 3282-6965 – Escola Municipal Marechal Ribas Júnior. (62) 8144-1973 – Aluísio Cavalcante (coordenador geral do projeto)



DADOS INSTITUCIONAIS

Razão social: Associação Casa da Árvore
CNPJ: 09.169.589/0001-20
Endereço: Av. Prof. Alfredo de Castro, S/N, Área Especial, Chácara do Governador - Goiânia - GO